Desde cedo aprendemos as boas maneiras. Não faça isso. Não faça aquilo. Não pegue nada sem pedir. Peça emprestado. Bom dia, boa tarde e boa noite! Por favor. Com licença. Desculpa. Obrigado ou obrigada! Ligou, desligue. Acendeu, apague. Abriu a gaveta? Feche.É assim. A vida é mesmo um aprendizado. Com os anos é possível distinguir o bem do mal, os prazeres, os medos, os sonhos, as ilusões, as angústias. Claro, que com um pouco de menos de experiência que os mais velhos, mas nem por isso com menos intensidade.
Com o tempo aprendemos a respeitar e a exigir respeito. A amar as pessoas mais próximas. A conviver com as diferenças. A enfrentar os obstáculos e superá-los. Ajudar, quando possível, e pedir ajudar, se necessário.
Mas uma coisa me incomoda. E muito. Se desde cedo já aprendemos tudo isso, como ainda é possível encontrarmos pessoas que de alguma forma perturbem a vida dos outros? Com ações questionáveis. Capazes de fazer o mal para um dócil e inofensivo animal, uma pequena criança que ainda não tem asas, uma ex-namorada amedrontada.
Lendo os jornais, no som do rádio ou nas imagens da televisão é possível ler, escutar ou ver de tudo. Casos assustadores. Inexplicáveis e muitas vezes difíceis de imaginar. Quem sabe ainda de esclarecer. Pois, por mais que haja alguma explicação ainda questiono o motivo para tanta crueldade. E continuo acreditando que não exista. O que há de errado? Onde está o erro? Será que só escutamos, desde cedo, as boas maneiras e quanto à prática deixamos dentro da gaveta?