Inovação, essa é a meta


Talvez eu devesse começar o primeiro texto do ano abordando os projetos, as expectativas para os próximos 365 dias. Aquela velha história de mais isso e menos aquilo. O otimismo, os projetos para os próximos doze meses. Mas não quero cair na mesmice. Inovar, essa é a meta. Cansei de rotina. Os mesmo desejos e as velhas promessas. Esse joguinho de mais ou menos esse ano não, por favor.

Que tal começar 2009 com um assunto menos previsível? A ofensiva isralense em Gaza, um dos mais violentos desde a primeira revolta entre 1987 e 1991. A crise na economia mundial, as demissões em grande escala e efeitos no mais variados setores. As últimas contratações no futebol, a reforma ortográfica e as divergências entre a classe acadêmica. Ou até, na ausência de argumentos, relatar mais uma estréia do reality show global, exemplo da decadência da Cultura de Massa. Um "espetáculo" à parte.

Assunto para o primeiro texto do ano não falta. A idéia é fugir do lugar comum. Manter os pés no chão, a mente aberta, olhos e ouvidos atentos, olfato e paladar apurado e braços abertos. Nada de velhas lembranças e projetos inacabados. Falsos preconceitos e pouca cultura. Para os próximos doze meses? Abraços fraternos, sorrisos sinceros e amizades verdadeiras. Nada igual ao ano que passou.

Na gaveta

Desde cedo aprendemos as boas maneiras. Não faça isso. Não faça aquilo. Não pegue nada sem pedir. Peça emprestado. Bom dia, boa tarde e boa noite! Por favor. Com licença. Desculpa. Obrigado ou obrigada! Ligou, desligue. Acendeu, apague. Abriu a gaveta? Feche.

É assim. A vida é mesmo um aprendizado. Com os anos é possível distinguir o bem do mal, os prazeres, os medos, os sonhos, as ilusões, as angústias. Claro, que com um pouco de menos de experiência que os mais velhos, mas nem por isso com menos intensidade.

Com o tempo aprendemos a respeitar e a exigir respeito. A amar as pessoas mais próximas. A conviver com as diferenças. A enfrentar os obstáculos e superá-los. Ajudar, quando possível, e pedir ajudar, se necessário.

Mas uma coisa me incomoda. E muito. Se desde cedo já aprendemos tudo isso, como ainda é possível encontrarmos pessoas que de alguma forma perturbem a vida dos outros? Com ações questionáveis. Capazes de fazer o mal para um dócil e inofensivo animal, uma pequena criança que ainda não tem asas, uma ex-namorada amedrontada.

Lendo os jornais, no som do rádio ou nas imagens da televisão é possível ler, escutar ou ver de tudo. Casos assustadores. Inexplicáveis e muitas vezes difíceis de imaginar. Quem sabe ainda de esclarecer. Pois, por mais que haja alguma explicação ainda questiono o motivo para tanta crueldade. E continuo acreditando que não exista. O que há de errado? Onde está o erro? Será que só escutamos, desde cedo, as boas maneiras e quanto à prática deixamos dentro da gaveta?

E isso que eu preciso!

Acordar cedo, tomar café, arrumar, ir para o trabalho e lá vem a correria. Todo dia a mesma coisa. Tudo com horário marcado. Tarefas, tarefas e mais tarefas. E hoje não foi diferente. Pendências para acabar, trabalhos para iniciar e cada vez mais serviço. A parte da manhã toda tumultuada. A tarde também nada de sossego. E quando achava que estava chegando ao fim, aparece um amigo, desses que a gente não pode negar nada, e me pede para escrever um texto para uma coluna do jornal. Mais que depressa, com toda a afobação, aceitei o pedido e só depois notei que ainda não tinha terminado tudo que havia sido proposto. Opa! O texto agora é mais uma pendência na minha lista de infinitas tarefas.

Calma! Respiro fundo e como sempre começo a digitar as primeiras palavras. Mas espera. Qual é mesmo o assunto que vou abordar? Meu Deus! Não defini nada com meu amigo e agora? Pelo jeito mais um serviço para começar.

Vamos lá. Pego os jornais do dia, busco informações na internet, escuto as últimas notícias no rádio e nada interessante para relatar no meu texto. Deve ser a época. Férias, não minhas, mas da maioria das pessoas. E nesse período não acontece nada de muito diferente dos outros anos. Nos jornais os roteiros turísticos, o sol, as chuvas, as situações nas estradas, o carnaval ocupam a primeira página. A política e o futebol estão de férias. E pelo jeito a inspiração também. Hoje não é meu dia.

Penso em mil coisas e nada de atraente vem à minha cabeça. Qual o tema vou abordar no meu texto? Mais um pouquinho e uma boa idéia aparece. Ah! Mas sobre este assunto eu já escrevi. De repente surge outro tema. Mas este também eu já abordei, embora há alguns anos. Sinceramente. Não sei sobre o que vou escrever. Digito algumas palavras, apago outras e não sai nada. Isso não é comum.

Depois de algum tempo... Não acredito! Consegui. Porque não escrever sobre a correria do meu dia, as muitas tarefas e sobre o texto ainda sem tema definido. Agora, sim! Boa idéia. Quer saber? Preciso é de férias.

Já é Natal!

Reparou as luzes pela cidade? A decoração nas casas, prédios, praças, shoppings, comércio em geral. Tudo ornamentado. Os enfeites. Bolas, fitas, laços, Papai e Mamãe Noel, árvores, maçãs, uvas, ursos, sinos, estrelas, cartões, o tradicional presépio. As cores. O verde, o vermelho e o dourado se destacam. Mas há quem prefira inovar. E decoram com outros tons. Critério pessoal.

Castanhas, panetone, vinhos, carnes, frutas, doces. Aumento do trânsito, se isso é possível, lojas lotadas, consumidores, sacolas e caixas. Tudo em busca do presente perfeito. Ou será pela famosa lembracinha? Tanta gente para presentear. Mãe, pai, avós, filhos, irmãos, namorado (a), marido (esposa). Os convidados. Período único para reunir todos, familiares e amigos. Sem desculpa de tempo na agenda.

Natal! Período do ano característico. Ocasião onde as pessoas demonstram um carinho diferente. Algo singular. Deve ser mesmo a época. Durante o ano tantos problemas, conquistas, dificuldades, realizações. Hora de pensar no que foi feito e o que não foi possível concretizar. De relembrar os momentos bons e, se possível, esquecer os ruins. Hora de comemorar, brindar. Planejar os objetivos de 2008. E que venha mais um ano!

Não é qualquer um que entende


Não classificaria apenas como uma simples torcida. Mais que isso. Algo difícil de explicar. Um sentimento grande, intenso, enigmático. É muito mais que torcer. Diria: idolatrar. Um amor que não tem fronteiras. Só quem faz parte consegue entender. Raça, doutrina, destino. Não torna-se atleticano. Nasce alvinegro.

Embora os adversários destaquem insistentemente apenas as derrotas, as quedas para o atleticano nunca são dificuldades. Um ensinamento, uma lição. A busca contínua da vitória. Um amor cego, insistente, impreciso. Podem considerar uma doença. Entendo. Eles não sabem o que é isso. Não é apenas torcer quando o time está à frente. É muito mais. O atleticano nunca esquece do seu time nas derrotas. É um casamento. É apoiar nos períodos difíceis, com esperança de momentos inesquecíveis.

É possível mudar tudo. Cidade, país, visão política, religião, namorado (a) e até marido (mulher). Mas para um atleticano é impossível mudar de time. Como escreveu Roberto Drummond: “Ser atleticano é um querer bem. É uma ideologia”.

Claro que no futebol a vitória é o principal objetivo. Mas os atleticanos não buscam apenas isso. O atleticano não vive só para os títulos. Ele vive intensamente apaixonado. Se houver barreiras, que sejam enfrentadas. Se for derrotado. Calma, não é o fim. E quando a vitória é conquistada, o atleticano, sempre apaixonado, comemora. E que venham os próximos obstáculos. Porque perdendo ou ganhando, Clube Atlético Mineiro, uma vez até morrer.

Psiu! Quantas horas?


Tic tac... despertador tocando. Trin, trin, trin... O telefone toca uma, duas, três vezes. Biii... Biii... As buzinas soam pelas ruas movimentadas, cheias de carros e motos. Pedestres correndo, nervosos e agitados. É assim. Cidade movimentada, barulho, milhares de pessoas, stress e muita pressa para cumprir todos os compromissos do dia.

Está ai! A palavra que ilustra muito bem o dia a dia urbano. Pressa. Telefone que não para de tocar, trânsito que não sai do lugar, buzinas, pessoas gritando. E o relógio? Ah! Esse não pára. Viramos reféns dos horários. Hora para acordar, hora para chegar ao trabalho, hora da reunião, hora do almoço, hora do retorno ao trabalho, mais uma reunião. Olha o atraso. Ufa! Quantas horas, mesmo? Final do dia. Hora de voltar para casa. Mas e o curso de inglês e a ginástica? É quarta-feira! Dia de chegar mais tarde. E o trânsito? A esse não.

Vivemos sob o comando do relógio. O dia fica pequeno diante de tantas tarefas a cumprir. O tempo já não é mais o mesmo. Tudo acontece muito rápido. E se não ficarmos de olho, pequenos detalhes passam despercebidos. Não conseguimos fazer tudo o que pretendíamos. Muita correria, muitas tarefas e pouco tempo. Hora? Ah! Essa sim. Hora do stress.

Tornamos adeptos do corre-corre, do barulho, da agitação e da agenda. Tudo é programado. Tudo cronometrado. A tempo e a hora. O primeiro na fila, o mais rápido na fala. Olha o desperdício do tempo. Tornamos viciados na tecnologia. Celulares, computadores, carros. Tudo para não perder a hora. Temos que saber das últimas notícias. Política, Economia, Esportes. Qual é a última novidade? Olha o prazo para a entrega do relatório. Acelera!

Angústia, depressão e fuga para tantos horários. Doentes da pressa. Olha a velocidade, olha os prazos, olha o tempo. Quarta-feira? Já não sabemos mais em que dia estamos. Dia 27? Final do mês? Não sei. O calendário está na sala ao lado. Não tenho tempo para olhar. Olha o relógio. Cadê? Psiu que horas são?

Esperança



Esperança. Ah! O que seria da vida dos seres humanos sem ela. Sentimento forte, contagiante. Companhia constante do dia-a-dia. O ânimo, na hora de acordar bem cedo, o entusiasmo, no período da tarde, durante os estudos ou o trabalho, a calmaria, a noite na hora de dormir e quem sabe acordar para um dia seguinte melhor que o dia que se foi... Esperança? Ela aí.

Sentimento que nos impede de fraquejar nos momentos difíceis, nos obstáculos encontrados pelo caminho. Emoção difícil de descrever. Só quem tem sabe definir o que ela representa. Algo gostoso como aquela água fresca depois de uma caminhada sob o sol do meio dia. Como aquele gol nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo.

Quem não tem, considera a vida monótona, comum. Tudo muito rotineiro. Por outro lado, quem tem, consegue enxergar a vida de forma diferente. Mais colorida. Com um gostinho de sempre querer mais. De conseguir aquilo que os outros consideram impossível. Mas para você, apenas uma barreira. Um período, momento e nada mais. E você já encontrou a sua?